O que manchas de tinta e sombras tortas e o cinema expressionista alemão têm em comum
Em uma folha branca, uma mancha de tinta preta se espalha de maneira irregular. Para alguns, parece uma borboleta. Para outros, dois animais se enfrentando ou o rosto de alguém escondido na escuridão. A imagem é a mesma, mas as interpretações mudam. Em 1921, o psiquiatra suíço Hermann Rorschach transformou esse princípio em um instrumento de avaliação psicológica. Um ano antes, nos cinemas de Berlim, O Gabinete do Dr. Caligari apresentava ruas tortas, sombras impossíveis e cenários que pareciam ter saído de uma mente perturbada. À primeira vista, o teste psicológico e o cinema expressionista alemão têm pouco em comum. Um pertence ao campo da psicologia; o outro, à história da arte e do cinema. Ainda assim, os dois exploram uma questão semelhante: o que acontece quando uma imagem deixa de ser apenas aquilo que vemos e passa a depender também de quem a observa? Ao longo do século XX, essa relação ganharia novos contornos. As manchas de Rorschach se tornariam símbolos da tentativa ...