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Terror nacional: o horror brasileiro que nasce longe dos holofotes

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  Imagine caminhar por uma estrada de terra durante a madrugada. Não existe iluminação, o celular está sem sinal e, ao longe, você escuta alguma coisa que parece chamar pelo seu nome. Talvez seja apenas o vento passando pelas árvores. Talvez seja alguém tentando chamar sua atenção. Ou talvez exista alguma coisa ali que não deveria estar. O terror sempre encontrou maneiras diferentes de explorar nossos medos, mas existe algo particularmente interessante quando essas histórias partem da nossa própria realidade. Afinal, o Brasil é um país cheio de lendas, crenças populares, histórias de assombração e relatos que atravessam gerações. São histórias que passam de avós para netos, aparecem nas conversas de interior e alimentam o imaginário de diferentes regiões. Mesmo assim, durante muito tempo, quando pensamos em terror no cinema, na literatura ou nos podcasts, é comum que nossas primeiras referências venham de produções estrangeiras. Mas o terror brasileiro está longe de ser novidade. E...

O que manchas de tinta e sombras tortas e o cinema expressionista alemão têm em comum

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  Em uma folha branca, uma mancha de tinta preta se espalha de maneira irregular. Para alguns, parece uma borboleta. Para outros, dois animais se enfrentando ou o rosto de alguém escondido na escuridão. A imagem é a mesma, mas as interpretações mudam. Em 1921, o psiquiatra suíço Hermann Rorschach transformou esse princípio em um instrumento de avaliação psicológica. Um ano antes, nos cinemas de Berlim, O Gabinete do Dr. Caligari apresentava ruas tortas, sombras impossíveis e cenários que pareciam ter saído de uma mente perturbada. À primeira vista, o teste psicológico e o cinema expressionista alemão têm pouco em comum. Um pertence ao campo da psicologia; o outro, à história da arte e do cinema. Ainda assim, os dois exploram uma questão semelhante: o que acontece quando uma imagem deixa de ser apenas aquilo que vemos e passa a depender também de quem a observa? Ao longo do século XX, essa relação ganharia novos contornos. As manchas de Rorschach se tornariam símbolos da tentativa ...

Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte

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Um filme sobre carne e fluidos   Recentemente fui ao cinema ver um filme que, mesmo sendo pouco falado, me chamou muito a atenção. Talvez porque ele faça parte de uma espécie de trilogia temática de Jane Schoenbrun, diretora que vem construindo uma filmografia muito particular sobre identidade, cinema, desejo e a dificuldade de entender quem somos. Antes de Acampamento Miasma , Schoenbrun dirigiu We're All Going to the World's Fair e I Saw the TV Glow , sendo este último o único que eu tinha visto antes. E talvez seja justamente por isso que o Acampamento Miasma tenha me interessado tanto. Ele segue uma linha parecida com a de I Saw the TV Glow , mas olha para essa descoberta por outra perspectiva, agora dentro do terror e utilizando o slasher como uma espécie de analogia para falar sobre culpa, desejo e o prazer, às vezes assustador, de finalmente se tornar você mesmo. Obviamente, Schoenbrun traz novamente um olhar extremamente pessoal para essa experiência. O filme fala so...