Oppenhaimer: "Agora eu me tornei a Morte, a destruidora de mundos".

 

O filme Oppenheimer, saiu nesta quinta-feira (20), dirigido e roteirizado por Christopher Nolan, que está fazendo muito sucesso tanto nas críticas quanto com o público mesmo com suas polêmicas. Mas quem é Oppenheimer ?

Julius Robert Oppenheimer foi um físico teórico americano nascido em Nova Iorque em 22 de abril de 1904 e falecido em Princeton em 18 de fevereiro de 1967. Ele é conhecido como o "pai da bomba atômica" devido ao seu papel essencial no Projeto Manhattan, o empreendimento que levou à criação das primeiras armas nucleares durante a Segunda Guerra Mundial.

Sua formação acadêmica inclui um bacharelado em química pela Universidade de Harvard em 1925, seguido de estudos em física nas universidades de Cambridge e Göttingen, onde obteve seu doutorado (PhD) em 1927. Ao longo de sua carreira, ele ocupou posições acadêmicas em várias instituições, incluindo a Universidade da Califórnia em Berkeley e o Instituto de Tecnologia da Califórnia, onde fez importantes contribuições no campo da física teórica, abrangendo áreas como mecânica quântica e física nuclear.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Oppenheimer foi recrutado para liderar o Projeto Manhattan e, em 1943, foi nomeado diretor do Laboratório de Los Alamos no Novo México, onde se concentrou no desenvolvimento das armas nucleares. Sua liderança e expertise científica foram fundamentais para o sucesso do projeto. Ele testemunhou o teste Trinity em 16 de julho de 1945, que resultou na primeira detonação bem-sucedida de uma bomba atômica. Esse evento o levou a citar palavras da escritora hindu Bagavadeguitá: "Agora eu me tornei a Morte, a destruidora de mundos".

O Projeto Manhattan foi uma iniciativa dos Estados Unidos realizada nos anos 1940, com o objetivo de construir as primeiras bombas atômicas da história. Esse projeto militar e científico mobilizou recursos e esforços consideráveis, começando em 13 de agosto de 1942 e encerrando em 15 de agosto de 1947. A base secreta do projeto, localizada no deserto de Los Alamos, Novo México, testemunhou o primeiro teste de explosão de uma bomba atômica em 16 de julho de 1945.

O contexto para a criação do Projeto Manhattan ocorreu em 1939, antes do início da Segunda Guerra Mundial, quando cientistas, incluindo Albert Einstein e Leo Szilard, alertaram o presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, sobre a possibilidade de os nazistas construírem uma bomba atômica. Esse alerta impulsionou os EUA a se adiantarem a possíveis avanços alemães na área nuclear. Com o início da guerra, o projeto ganhou impulso, incluindo a construção do primeiro reator nuclear do mundo em Chicago.

O projeto foi liderado pelo general Leslie Groves e pelo físico Robert Oppenheimer, que atuou como diretor-geral. Durante o desenvolvimento das bombas, milhares de pessoas foram envolvidas, incluindo cientistas, engenheiros e pessoal militar. Quatro locais principais foram dedicados ao projeto, envolvendo a separação de urânio-235 em Oak Ridge, Tennessee, a produção de plutônio e sua separação em Hanford, Washington, e o laboratório de Los Alamos, onde as bombas foram projetadas e fabricadas.

O Projeto Manhattan foi uma iniciativa dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial para desenvolver as primeiras bombas atômicas da história. Executado entre 1942 e 1947, o projeto visava superar uma possível ameaça nazista de desenvolver armas nucleares e foi uma resposta ao alerta feito por cientistas, incluindo Albert Einstein e Leo Szilard, sobre o potencial do regime nazista em adquirir esse conhecimento.

A mobilização de esforços científicos e militares resultou na construção do primeiro reator nuclear do mundo em Chicago, no ano de 1942. O projeto teve quatro principais locais de desenvolvimento: o Met Lab em Chicago, onde o reator foi construído; Oak Ridge, no Tennessee, onde urânio-235 era separado do urânio-238; Hanford, em Washington, onde o plutônio era produzido é separado do combustível de urânio; e Los Alamos, no Novo México, onde as bombas foram projetadas e fabricadas.

O primeiro teste com uma bomba atômica, denominada "Trinity", ocorreu em Los Alamos em 16 de julho de 1945, com uma explosão de 20 quilotons de força (equivalente a 20 mil toneladas de TNT). Esse teste bem-sucedido foi seguido pelo lançamento de duas outras bombas construídas pelo projeto sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki em agosto de 1945, resultando na morte de mais de 240 mil pessoas.

Após a guerra, Oppenheimer assumiu um papel importante como presidente do Comitê Consultivo Geral da Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos (CEA). Ele defendeu o controle internacional da energia nuclear para evitar a proliferação de armas nucleares e uma corrida armamentista com a União Soviética. No entanto, ele se opôs ao desenvolvimento da bomba de hidrogênio e suas posições políticas levaram a um processo em 1954 que resultou na revogação de sua habilitação de segurança e a perda de influência política direta.

Apesar disso, Oppenheimer continuou a lecionar, escrever e se envolver com a física. Em 1963, recebeu o Prêmio Enrico Fermi, concedido pelo presidente John F. Kennedy, como um gesto de reabilitação política. Posteriormente, em 2022, o governo dos Estados Unidos anulou a decisão de 1954 e reafirmou a lealdade de Oppenheimer.

Além de seu trabalho no desenvolvimento da bomba atômica, Oppenheimer fez importantes contribuições para a física teórica, como a aproximação de Born-Oppenheimer para funções de onda moleculares e a primeira previsão de tunelamento quântico. Ele também trabalhou em teorias relacionadas a estrelas de nêutrons e buracos negros, mecânica quântica, teoria quântica de campos e interações de raios cósmicos.

Oppenheimer nasceu em uma família judia e foi um indivíduo politicamente ativo, apoiando causas antifascistas e se afastando de associações comunistas quando percebeu o comportamento ditatorial do regime stalinista.

No final de sua vida, Oppenheimer lutou contra um câncer de garganta, passando os últimos anos em Saint John, nas Ilhas Virgens Americanas, e faleceu em 1967 aos 62 anos de idade. Seu corpo foi cremado e suas cinzas foram lançadas ao mar. Sua esposa, Kitty, faleceu em 1972.

Agora você meu querido leitor deve estar se perguntando o por que de toda essa apresentação da história. A resposta é simples, o filme é uma espécie de biografia de Oppenheimer, mais especificamente um recorte de sua vida onde contam desde sua jornada acadêmica na área de física e de sua brilhantina perante física teórica onde foi o responsável por trazer essa “nova Física” para os EUA até a própria criação das bombas passando pelo projeto trinity até as repercussões de suas ações. Porém irei me conter para não dar spoilers. O filme mesmo apresentando uma enorme aula sobre física ou para ser mais exato a história da física num contexto pré-guerra, durante a guerra e no pós-guerra, não se interessa tanto em explicar questões físicas envoltas no projeto bélico ( referente a armas), utilizando a física com plano de fundo para um drama mais pessoal e intimista.

Com um elenco enorme e de peso onde todos os personagens tem um peso enorme e corroboram para um foco maior do personagem de Cillian Murphy, que brilha no papel do criador da bomba, sem passar um atuação de “mocinho” mas sim uma atuação sólida e bem humana de Oppenheimer, passando cada nuance de sentimentos tidos pelo personagem, hora  sendo olhos de choque perante a certas situaçõe e hora sendo um sorriso presunçoso para descrever o certo nível de egocentrismo tido por Oppenheimer.

A direção e o roteiro Christopher Nolan nessa ora brilham, com um singelo orçamento de  100 milhões USD, e uma promessa de não ter efeitos especiais(CGI) que se percebe uma grande maestria em sua direção e na escolha dos atores, a edição de som e o grande close na tomada dos takes, faz com que além da magnitude da explosão o telespectador fique empolgado e ao mesmo assustando ao ver o enorme poder destrutivo, uma sensação muito presente na atuação de Cillian Murphy, e mostra ainda o conflito interno do personagem após o ataque ao Japão. Não que o filme passe pano para o físico mas ainda assim trata-o como um homem arrependido e assustado com o monstro que criou, tanto por ego quanto por ganância.

No elenco temos: 

Cillian Murphy: J. Robert Oppenheimer

Emily Blunt : Kitty Oppenheimer

Matt Damon : Leslie Groves Jr.

Robert Downey Jr. : Lewis Strauss

Florence Pugh : Jean Tatlock

Josh Hartnett : Ernest Lawrence

Casey Affleck : Boris Pash

Rami Malek : David Hill

Entre muitos outros atores e atrizes de peso, fazem parte desse elenco.

O filme está nos cinemas, recomendo que assistam para tomarem as próprias opiniões, e creio que esse filme também vá concorrer ao Oscar. Não apenas por direção, mas por fotografia, direção, roteiro e acima de tudo edição de som e trilha sonora. Com toda certeza esse filme é uma obra-prima do nolan feita com orçamento curto que reúne diversos nomes de peso para uma narrativa de peso.

 

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