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Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte

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Um filme sobre carne e fluidos   Recentemente fui ao cinema ver um filme que, mesmo sendo pouco falado, me chamou muito a atenção. Talvez porque ele faça parte de uma espécie de trilogia temática de Jane Schoenbrun, diretora que vem construindo uma filmografia muito particular sobre identidade, cinema, desejo e a dificuldade de entender quem somos. Antes de Acampamento Miasma , Schoenbrun dirigiu We're All Going to the World's Fair e I Saw the TV Glow , sendo este último o único que eu tinha visto antes. E talvez seja justamente por isso que o Acampamento Miasma tenha me interessado tanto. Ele segue uma linha parecida com a de I Saw the TV Glow , mas olha para essa descoberta por outra perspectiva, agora dentro do terror e utilizando o slasher como uma espécie de analogia para falar sobre culpa, desejo e o prazer, às vezes assustador, de finalmente se tornar você mesmo. Obviamente, Schoenbrun traz novamente um olhar extremamente pessoal para essa experiência. O filme fala so...

World of Horror uma carta de amor ao Horror

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    O que um dentista, um mangaká de terror e um escritor de ficção científica têm em comum? A resposta é um jogo: World of Horror , uma das obras mais singulares do terror indie dos últimos anos e a prova de que não é preciso um estúdio gigante, nem uma equipe de dezenas de pessoas, para criar algo verdadeiramente perturbador. Concebido inicialmente como um card game e mais tarde reimaginado como videogame, o projeto nasceu inteiramente das mãos de Paweł Koźmiński, dentista polonês nascido em 1992 em Wrocław, que hoje assina seus trabalhos como Panstasz. World of Horror carrega inspirações claras do mangaká Junji Ito e do escritor norte-americano H.P. Lovecraft, pai do horror cósmico tanto que pode ser descrito, sem exagero, como uma carta de amor a ambos. Do consultório odontológico ao pesadelo   Koźmiński desenvolveu o jogo nas horas vagas enquanto trabalhava como dentista, inspirado pelo estilo de jogos da década de 1980 para Macintosh e PCs antigos uma estética...

Jornalismo com sarjetas

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  N ão é de hoje que o jornalismo tenta se reinventar para alcançar novos públicos e explorar outras formas de contar histórias. Do documentário às grandes reportagens multimídia, novos formatos surgem o tempo todo com o objetivo de informar, contextualizar e criar envolvimento com o leitor. Dentro desse movimento de reinvenção, um formato vem ganhando cada vez mais espaço — embora ainda circule majoritariamente fora do mainstream: o jornalismo em quadrinhos , também conhecido como graphic journalism . Por mais contemporânea que essa linguagem possa parecer, suas raízes são antigas. Antes mesmo da popularização da fotografia, jornais do século XIX já utilizavam ilustrações para retratar guerras, julgamentos e acontecimentos políticos. Artistas acompanharam conflitos como a Guerra da Crimeia e a Guerra Civil Americana, registrando cenas que a tecnologia da época não conseguia captar. O desenho, desde então, já funcionava como ferramenta informativa e documental. Quando o desenho era...

Catherine Classic: Fugir também é uma escolha ?

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Uma vida confortável, medíocre e prestes a explodir Imagine que você está vivendo sua vida pacata. Tem uma namorada, um emprego estável, uma rotina confortável, mas ao mesmo tempo completamente medíocre. Nada falta, mas nada empolga. Sua namorada quer casar; você não. Ou melhor, você até pensa nisso, mas não gosta de se prender às pessoas, então vai empurrando com a barriga, desviando do assunto, fingindo que ainda não é a hora. Até o dia em que ela te cobra de verdade. Você sai para beber. Quando acorda no outro dia, está na cama com outra mulher. Uma loira. Uma mulher que você não sabe como foi parar ali entre a madrugada de sexta e o início de sábado. Você não lembra de nada da noite anterior. Mas sabe de uma coisa com certeza: você está ferrado. É assim que você conhece a história de Vincent Brooks, um homem de 32 anos que vive uma vida confortável, sem grandes responsabilidades, até que sua namorada de longa data, Katherine McBride, começa a pressioná-lo sobre casamento e ...

o cinema sobrevive a ascensão do streaming?

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Já ouvi muitas pessoas falarem que não vale a pena ir ao cinema. Seja por causa do preço do estacionamento, pipoca ou a incerteza de pagar para assistir um filme que não sabe se vai gostar. Muitos não acham que vale sair de casa ou só vão quando há um filme de real interesse. O ritual de ver trailers sumiu; hoje o que interessa é ver a crítica antes de assistir ao filme. O foco é consumir apenas o que já desperta interesse, sem se arriscar a dar uma chance a algo novo. Claro, é confortável ver um filme em casa, depois de uma semana cansativa, ligar a Netflix ou a Disney+ para ver um bom filme ou série, você é automaticamente bombardeado por conteúdos já pré-determinados pelo algoritmo, feitos para assistir sem pensar, apenas consumir e preencher a tarde de domingo. Você se entretém vendo Velozes e Furiosos 10 ou O Código Da Vinci pela 15ª vez, faz pipoca e, de pijama, passa o dia inteiro vendo filmes, alguns repetidos, outros tão parecidos que Liam Neeson protagoniza metade...